Avançar para o conteúdo principal

A Autoridade (de Poesia viva)

         A Autoridade

Não pretendo maldizer ou criticar,
O trabalho dos agentes da autoridade,
Mas sim á lei, que os limita no actuar,
Pois julgo que o sinto como verdade.

Vive-se uma crise de autoridade,
A começar pelos Pais sem coragem,
Passando por um Estado em debilidade,
Que permite ou tolera a malandragem.

A autoridade não se furta aos deveres,
Mas a lei é ambígua e inoperante,
Ao retirar-lhe muitos dos seus poderes,
E a remeter-lhe um papel irrelevante.

As forças de segurança foram criadas,
Para proteger o cidadão e seu haveres,
Mas vemos que estão a ser desviadas,
Para proteger aquele que tem poderes.

Que justiça, na lei imposta por Lisboa,
Ao classificar de intocável e imune,
Gente a quem tudo desculpa e perdoa,
Enquanto a outros tudo exige, e pune?

A insegurança que galopa dia a dia,
Põe o Mundo á beira da decadência,
Porque é medíocre quem a justiça guia,
Tem má fé ou falta de competência.

Por via de uma lei, talvez errada,
A autoridade não actua como devia,
Pois sente-se por vezes desautorizada,
Ao cumprir a missão que lhe competia.

Hoje como há vinte séculos atrás,
Um governador autoritário fará isto:
Soltará o marginal Barrabás,
E condenará o inocente Cristo.


1996

Comentários

Mensagens populares deste blogue

Sinto-me triste...

Sinto-me triste, desolado Com o homem meu semelhante Ao vê-lo pelo ódio tomado Seguir um caminho degradante Será que Deus está vendo O que acontece aos seus filhos: Alguns que matam morrendo E não fazem mais que sarilhos? Que meta pretendem atingir Aqueles que escolhem o terrorismo E não pensam mais que ferir Ou empurrar o Mundo para o abismo? Porque razão em nome do Céus Se faz o Inferno na Terra E se invoca o nome de Deus Para dar cobertura á guerra? Quem nos livra das mentes depravadas Que semeiam o terror e a morte Sobre pessoas inocentes, descansadas Que nada fizeram para tal sorte? Ticarlos

O Parlamento (de Poesia Viva)

              Parlamento Temos um Parlamento hábil a copiar, Decretos e leis feitas, em País estranho, Para a elas os Portugueses sujeitar, Como se eles fossem apenas um rebanho. Copia-se um mau código penal, E uma lei do aborto bem pior, Mas a lei da segurança social, Não se copia porque é melhor. Copiam-se salários de governantes, Porque para eles é conveniente, Copiam-se hábitos aberrantes, E ignora-se o que é excelente. Se as leis pelas quais nos regemos, São em parte do exterior importadas, Deputados, para que os queremos, São despesas escusadas. Se um deputado pode espezinhar, O direito e a moral de quem o elegeu, Também ao eleitor assiste reclamar, E retirar a confiança que lhe deu. Precisa-se de um Parlamento activo, Trabalhador e de espírito novo, E não de um Parlamento decorativo, Que ignora os anseios do seu povo. No Parlamento, em vez de respeit...

Comparativo

Comparativo Noutros tempos a gente confiava, As casas à segurança da aldrava, E não temia ser assaltada: Hoje nem a melhor fechadura, É bastante forte e segura, Que não possa ser arrombada. Ontem havia quem se entregasse, À terra e nela trabalhasse, Por uma pequena soldada: Hoje não há quem dê jeira, E muito menos quem queira, A terra ainda que dada. Ontem amanhava-se a terra E por ela se fazia guerra. Tal era a necessidade: Hoje a terra está abandonada, Não compensa ser cultivada E as gentes vão p’rá cidade. Trabalhava-se duro o dia inteiro, Por pouco pão ou dinheiro, E muitos passavam fome: Hoje quem do trabalho se alheia, Vive bem e de barriga cheia, Mas sem merecer o que come. Os rios tinham água pura, Que até para beber era segura, Não se falava em poluição: Hoje a água que neles corre, È poluída, o peixe morre E caminha para a extinção. Os alimentos tinham fonte natural; Não se falava em produção industrial E o povo cultivava o que comia: ...